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16/02/2005 15:23
Um outro mundo é possivel ?
Em janeiro, estive em Porto Alegre no Fórum Social Mundial. Muitos me perguntam como foi, esperando com ansiedade visível que eu responda : Excelente !. No entanto, depois de digerir um pouco mais as situações pelas quais passei enquanto estive lá, o máximo que eu consigo dizer é que foi uma grande experiência de vida : tudo muito intenso, com momentos maravilhosos e outros, decepcionantes.
Minha intenção com o que escrevo agora não é atuar de forma contrária à possibilidade de um mundo melhor, como pode sugerir o título : trata-se de um questionamento do lema do FSM, através da exposição das contradições existentes no seu próprio tempo e espaço físico, que em determinado momento me levaram a perguntar até onde o fórum e as pessoas que lá estão são coerentes com a bandeira que se propõem a levantar.
Antes de mais nada, sem generalizações. Estarei levantando fatos que presenciei, e a intenção é, acima de tudo, levantar uma discussão, refletir, e não julgar e crucificar esse ou aquele partido, pessoa, etc.
__ FATO #1 __
Depois de 18 horas de viagem, cheguei em Porto Alegre na terça feira que antecedia a abertura do fórum, juntamente com a caravana do PT paulista. Chegamos ao acampamento, onde a maioria do pessoal se alojou não acampei, mas passei boa parte do tempo lá.
Via-se, ao andar pelo acampamento, faixas e camisetas de diversos partidos políticos, predominantemente de esquerda (*). As pessoas do mesmo partido, sempre que possível, iam se alojando próximas umas das outras. Alguns já estavam lá haviam dias.
Estava ajudando um pessoal a montar sua barraca quando começou um coro : Ih, fora !, seguido de uma aglomeração de pessoas. Era um grupo do PSDB que, assim como todos os outros partidos, estavam com suas faixas e camisetas e, por que não, também queriam participar do fórum.
O fato é que, em torno deles, formou-se uma enorme roda de esquerdistas de diversos partidos via-se pelas camisetas e faixas -, vaiando e ameaçando expulsá-los. Depois de muito bate-boca, a brigada interveio e o pessoal do PSDB foi retirado antes que confusão chegasse ao ponto da violência física.
Pra mim, foi um balde de água fria logo de cara. O fórum não seria um espaço de debates no qual se colocam de lado as diferenças de qualquer natureza (raça, religião, sexo, e porque não, política) para se discutir um mundo melhor ? Ainda mais dentro do acampamento - chamado de território livre - onde convergem culturas do Brasil e do mundo todo, o fato em si fez uma marcha enorme, ao meu ver, na bandeira que levanta o FSM.
Então, a direita não tem direito de opinar no que diz respeito à possibilidade de um outro mundo ? E eu, que não tenho filiação política, também não posso opinar ? Mesmo que me preocupe com as discussões sociais, estou excluído delas por não vestir a camisa de um partido socialista ?
Mais tarde, conheci um membro do PSOL. Conversando com ele, citei o episódio o qual ele não presenciou -, e ele respondeu : O PSDB não tinha nada que vir pra cá. Argumentei com os dois parágrafos anteriores. Depois de uma pausa, retrucou : Mas o PSDB não participou da concepção e organização do fórum.
Na hora, me veio à cabeça a época na qual jogava futebol na rua de casa. E sempre tinha o dono da bola : o cara que queria ditar as regras do jogo só porque a bola era dele. E se o time dele não ganhasse, ele levava a bola embora.
De repente, configurou-se para mim um Fórum Socialista Mundial, excludente no sentido político. E é óbvio, isso não é bom : tudo o que gera exclusão gera um problema social. Além de ser, como já foi dito, totalmente contrário à proposta do fórum.
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(*) É mais fácil pensar que, depois da eleição de Lula, o Brasil virou canhoto, do que dizer que a mão do relógio agora é a direita. Ou não ? Esquerda é esquerda, o inverso também, não vamos complicar.
enviada por Daniel
18/01/2005 15:02
ODE(IO) A BALALAIKA
[letra e música : daniel conti]
[tom : dó maior (pq dá dó de quem toma)]
[ritmo : marchinha (de carnaval antes de beber, e fúnebre no dia seguinte)]
[refrão 2x]
Bala, bala, bala, Balalaika
bala, bala, bala, embala bem
bala que me embala, Balalaika
toma engov que nem bala para poder ficar bem
[1a. estrofe 2x]
Smirnoff é muito cara para mim
agora o meu dinheiro acabou
gastei tudo vindo pra Ubatuba
só dinheiro pra Zulú e Balalaika é o que restou
[repete refrão 2x]
[2a. estrofe 2x]
Acho que eu exagerei na dose
Balalaika pura me faz vomitar
no chão do banheiro e na calçada
mas o bom é que Balalaika também serve pra limpar
[repete refrão 2x]
PS.: Cante sóbrio, porque falar Balalaika bêbado não dá.
enviada por Daniel
24/12/2004 19:16
Se 2004 foi pra você o que foi pra mim,
você deve ter depositado todas as suas fichas
em um amor que não deu certo
e ainda dói.
Mas, se olhou além,
conseguiu perceber que a vida
sempre e, incondicionalmente,
dá uma nova chance de seguir em frente e ser feliz.
Talvez não tenha atingido o patamar profissional
que você almeja e
para o qual tanto trabalha.
Mas, olhando além,
notou que hoje seus pés repousam
vários degraus acima do que, um dia,
você imaginou estar.
Em algum momento, com certeza,
sua fé, assim como a minha,
deve ter sido abalada
e você ficou sem chão.
Mas se você olhou além,
descobriu quantas pessoas, que nem imaginava, te estimam,
e no apoio delas conseguir buscar forças
para voltar a crer.
Se, em 2004, você teve o mesmo que eu, ou quase,
e muitas coisas ainda não estão no lugar que você queria, ou todas,
note : elas, no mínimo, já não estão mais no lugar onde estavam.
Sendo assim,
o melhor que posso desejar a você
é um 2005 repleto dessa magia
que hora nos derruba
mas sempre nos dá, incansavelmente,
motivos e mais motivos para levantar e prosseguir,
com um sorriso estampado no rosto
acreditando que tudo pode ser ainda melhor.
Um 2005 cheio dessa magia
chamada
vida.
Boas festas, de coração.
enviada por Daniel
01/12/2004 17:08
O Efeito Dominó do Mal
Há algo de estranho no ar,
e não se trata de apenas ver uma mancha cinza num quadro que nunca foi cor de rosa,
nem de reparar em algo que sempre esteve lá.
É quase unânime
(quase, pois senão seria estupidez, e não é),
ao ponto de não se saber mais
o que é exceção e o que é regra.
É como se o mal estivesse vencendo o bem com mais freqüência,
Um desequilíbrio agudo para o lado negativo,
O lado coroa da moeda que se repete mais que o normal.
Sim, pois dias bons existem, assim como dias ruins. E eles não se alternam de forma lógica, eu sei. Mas também não estou reclamando da bagunça da escrivaninha.
Vejam, não estou falando apenas de mim. Estou falando de aqui.
É uma energia que vem de fora pra dentro, que toma seu corpo e passa a fazer o caminho inverso, quando menos se espera, contrariando toda ética, fé e princípios.
É como se houvesse mais sangue nos telejornais e nunca foi pouco.
São mais pessoas querendo te puxar o tapete e elas sempre estiveram bem representadas.
São mais acidentes de trânsito na sua frente, mais tentativas de assalto, mais casais de namorados se desentendendo na esquina que, infelizmente, já são tão cotidianos que, em conversas com amigos, são temas da sessão de banalidades.
É mais do mal que sempre esteve ao seu redor, e que por mais defeitos que você tenha, sempre buscou lutar contra. Mas você começa a ser vencido seguidamente, e ele começa a te tomar. Você automaticamente transpira ódio e medo os sentimentos negativos principais, tudo o que decorre de ruim vem deles, de uma forma ou de outra , infectando tudo e a todos ao redor. Começa o efeito dominó.
No entanto, o que me preocupa mais e, por fim, me motivou a escrever sobre isso não foi ter diagnosticado isso apenas em mim. Andei conversando com muitas pessoas a respeito, de diferentes lugares, personalidades, grupos de amizade : me chamou a atenção que não se tratava apenas de aqui, mas também de ali, lá e acolá. E convenhamos, por mais realista que sejamos, não é necessário ter super poderes para concluir, diante de tudo isso, a primeira frase desse post.
O problema (ou a solução) é que quando tomamos conhecimento disso tudo, adquirimos uma responsabilidade : quebrar o efeito dominó. Já não se pode alegar ignorância, e tampouco imagino que exista algum interesse em ser conivente com algo que te prejudica : mudemos, então, de atitude.
Redobremos nossas atenções em todas nossas ações, mesmo que pequenas, tentando estabilizar novamente a balança... Eu poderia aqui despejar inúmeras frases de clichês pregando a bondade, e ficar parecendo um padre em um sermão, mas não vou fazer isso, porque não é essa a intenção. Cada um sabe bem quais calos seus que mais apertam, eu sei bem dos meus.
Trata-se de olhar pra dentro e ser sincero consigo mesmo. É difícil sim, e dadas as circunstâncias, mais do que o habitual. Mas ninguém disse que ia ser fácil. Eu estou tentando, e uma das formas é através desse texto.
Espero ter ajudado.
enviada por Daniel
17/11/2004 13:59
Incompatibilidade
Sou e sempre serei
fios de cabelo
sorrisos e feridas
de quem conheci,
estradas de terra
semáforos abertos
trilhos e paisagens
de onde estive.
No entanto,
ainda não consegui
mesmo que em um mínimo fragmento
mesmo que por um segundo sequer
ser ou estar
São Paulo.
enviada por Daniel
23/10/2004 05:10
Como nascem e morrem os fantasmas
Já fazem quase dez anos.
Foi uma pessoa daquelas que entram na sua vida e, mesmo sem ter sido sua namorada ou primeira transa, tampouco ter dado sequer um beijo na sua boca, te modifica por inteiro de forma tal que, ao ir embora e te deixar ao cacos, ainda entrega uma lista de recomendações, como quem diz : você será assim para o resto da sua vida.
Acho que é dessa forma que certas pessoas viram fantasmas para nós : nada pior do que coisas mal resolvidas. Todos tem os seus e comigo não é diferente : posso contar pelo menos uns três (não vou mencionar nomes, apesar de pelo menos um ser muito óbvio), que passaram a conviver comigo contra minha vontade nada contra fantasmas, não me levem a mal.
O primeiro deles motivação desse post me atormentou por muito tempo. Passei meses fazendo de tudo para que as coisas se resolvessem da melhor forma, mas como dizem, o que um não quer, dois não fazem. E como eu não sou do tipo de pessoa que gosta de virar as costas pra um problema e fazer de conta que ele está resolvido, eu acabei ganhando esse fantasma.
Ter um fantasma te rodeando é horrível. Nos primeiros dias, é impossível dormir direito, as horas não passam e não há espaço para mais nada na cabeça senão ele. Com o tempo esses sintomas passam, mas ainda sim você continua o enxergando em cada fisionomia parecida a dele que passa na rua estamos falando de uns 20% de semelhança : se o fastasma é uma loira, basta passar outra loira com uma estatura parecida para taquicardia atacar.
Sem falar nos momentos nos quais, de fato, você acaba encontrando com o fantasma frente-a-frente. Engraçado, ele sempre aparece com um ar de superioridade, como se soubesse do mal que te causa e, ainda assim, querendo mais que você se dane. Daí, dá-lhe suadeira, pernas tremendo, gagueira e falta de palavras se a pessoa se dirige a você. Ah, e a taquicardia de sempre.
Até que surge o primeiro dos muitos dias em que você diz : Chega, isso não vai mais me abalar tanto assim. E por mais que a cada dia desses a gente sinta menos, a gente nunca esquece. Afinal, já não é só o fato em si que está cravado na gente como uma farpa, e sim todo um comportamento que adquirimos como defesa, ou sei lá o que costumam chamar isso de trauma.
Mas, em um desses dias de revolta, você chega a blasfemar : um dia essa situação vai se inverter, e eu vou rir disso. Nem você acredita no que diz, quase bate na boca e pede desculpas, no entanto diz mesmo assim, sonhando com o dia em que você vai olhar tal fantasma no rosto por várias vezes e sequer vai reconhece-lo e, ao passar do lado dele sem os sintomas rotineiros, ele te chamará pelo nome, virá em sua direção e, depois de tropeçar e cair em cima de você, vai te pedir desculpas e perguntar como você está. Simples assim.
E então você passa a rir de todo esse sonho, toda vez que lembra. Até quando, assim como uma pessoa se torna fantasma, o sonho vira realidade.
enviada por Daniel
18/10/2004 23:33
Amor e Indiferença Severina
Esse fim de semana tive a honra de ser, pela primeira vez, padrinho de casamento.
Confesso que fiquei um pouco desconcertado quando recebi o convite de minha prima, pois acho que essa era uma das coisas pelas quais eu nunca esperava que fosse passar na minha vida. Além do que, trata-se de uma prima com a qual eu não convivo muito, apesar da grande estima que tenho por ela.
Mas como vocês já devem ter percebido pelos posts anteriores, esse é um ano de muitas surpresas e essa história que eu vou contar se junta à parte boa delas.
Foi uma cerimônia tipicamente católica, na principal igreja de Indaiatuba. Sempre tive minhas restrições quanto a cerimônias católicas : muitas das que presenciei, pareciam querer dizer mais às famílias e amigos dos noivos do que ao casal em si, ganhando conotação mais de auto-afirmação social do que um evento propriamente religioso. Além do que, na grande maioria delas era pregada a submissão da mulher ao homem (homem trabalha, mulher fica em casa; homem é razão, mulher é emoção, e por aí vai conceitos que, com todo o respeito, abomino).
No entanto, desta vez foi diferente, e essa diferença não estava nos enfeites da Igreja, nem na beleza da noiva, tampouco nas pessoas arrumando a todo o momento a cauda do seu vestido.
Estava nos olhos incrivelmente apaixonados do casal. Estava no choro incontido do noivo, na certeza plena da noiva. Na cumplicidade de ambos que, por muitas vezes, pareciam ignorar o que acontecia ao redor.
Aquela felicidade impressionante já era o suficiente para que o casamento fosse abençoado: foi a prova de que o amor verdadeiro não é lenda. Naquele momento, éramos todos padrinhos, convidados, Igreja apenas obras do capricho.
Creio que foi a primeira vez que me senti desnecessário e fiquei feliz.
enviada por Daniel
29/09/2004 17:28
Sinceridade
Tenho refletido muito sobre o porquê da sinceridade.
Erros todos cometem, e eu nunca fui exceção. E, acreditando que ninguém é ruim por natureza, penso que muitos desses erros ocorrem por motivos sobre os quais não se pode alegar maldade : insegurança, medo, até o ódio sentimentos por vezes momentâneos que nos levam a agir impulsivamente. E, como dizem, um gesto mal pensado pode destruir uma vida inteira de relacionamento.
Sempre vejo pessoas ao meu redor destacando a sinceridade com uma qualidade imprescindível a quem deseja se aproximar dela. Não vejo nada de errado nisso : cada um sabe melhor do que ninguém o que admirar ou repudiar nos outros.
No entanto, não consigo deixar de questionar. Digo isso porque quando usei da minha sinceridade em momentos capitais da minha vida, e com pessoas extremamente próximas de mim de quem se espera, no mínimo, uma forma de resolver a situação da melhor forma possível tudo o que eu ganhei, fora a paz de saber que estava sendo transparente, foram costas viradas para mim nos momentos em que eu mais precisava de ajuda.
(Por favor, poupem-me de ler coisas do tipo mas se essas pessoas fizeram isso, é porque não tinham uma ligação verdadeira com você. Definitivamente, não foi o caso).
Afinal de contas, vale a pena ser sincero ? Já sei : o anjinho responderá que sim, o diabinho que não. Eu sempre fui direto na primeira alternativa... mas o que se faz quando a paz que você sente por ser sincero não compensa a dor do que você perdeu ?
Outra coisa : porque dá-se tanta importância para a sinceridade se, no momento que ela se faz valer, não se corresponde com compreensão e perdão ? Enfim, qual o sentido REAL de exigir a sinceridade de alguém ? O medo de ser o último a saber ? A vontade de ter alguém em suas mãos para julgar e punir de acordo com o que se considera justo ?
O que se faz com a sinceridade alheia talvez justifique o porque tanta gente mente e, no fim das contas, acha que está de fato fazendo o melhor pela situação.
enviada por Daniel
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